sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Na pausa, o que Rui Vitória fará: muda o chip ou insiste no que vem de trás?

Resultado de imagem para rui vitoriaO treinador do Benfica disse que ia aproveitar a pausa na Liga para afinar processos. E se estes precisam de afinação... Mas quanto a mim, o problema do técnico é um pouco mais profundo que esse. Vitória tem um dilema: o 4x4x2 de Jesus (à sua moda) ou muda o chip táctico da equipa? Tenta aproveitar as sobras de Jesus ou opta por fazer tábua rasa e reformula o 11 à sua medida? Estas são as questões com as quais Vitória se debate a meu ver. E a sua indecisão tem levado a um Benfica pálido e sem consistência. E aliado a uma pré-temporada que não é a sua, num grupo que estava demasiado "feito" a Jesus, Vitória está, naturalmente, aflito. Mas não devemos perder a fé no técnico. Por enquanto. Tem de ter uma tolerância de uma volta pelo menos antes de questionarmos a sua qualidade mais a fundo... 

Olhando ao plantel, vejo cinco jogadores que são indiscutíveis: Júlio César, Luisão, Sálvio, Gaitán e Jonas. E é ao redor destes que Vitória tem de construir o seu 11 tipo, mas sempre contando com estes cinco. Agora o dilema do treinador: estará ele só a adaptar-se ao esquema deixado por Jesus, por ter um plantel diferente do desejado, ou prepara-se, com o que tem, para mudar a matriz do Benfica? Quanto a mim, e olhando ao que Vitória habitualmente apresentou, o treinador deve seguir os seus instintos. Deve assumir que a tour pela América foi um erro e optar por um back to the drawing board para redesenhar o seu Benfica, pois este actual não serve para nada! Dificilmente voltaremos a ter um Benfica forte em 4x4x2. E se tivermos, virei aqui dizer que me enganei. Mas duvido...

Há matéria-prima. Quer para o 4x4x2 e para o 4x3x3. Ou até para o 4x2x3x1. E é isso que tem falhado no futebol do Benfica. Se acho que Pizzi não tem (nem nunca teve) qualidade para o 11 do Benfica, quer Samaris, quer Fejsa não podem ter desaprendido. E se com Jesus jogavam bem, também o podem fazer com o novo treinador. Mas é preciso defina a dinâmica para a equipa. Não basta dizer que se vai jogar em 4x4x2. Tem que se criar a dinâmica e Vitória nunca a teve. nem teve sucesso assim. Assim como Jesus sempre se recusou a mudar de táctica, Vitória também o deve fazer, mas seguindo o que pensa. Por outro lado, mesmo em tácticas diferentes, temos em Gaitán e Salvio (quando regressar) dois intérpretes de luxo para as alas. E com Victor Andrade a prometer! E no ataque, quer Mitroglou, quer Jiménez podem fazer a diferença. Embora eu seja fã incondicional do grego. É lento? Talvez. Mas também o era Cardozo!

E depois há ainda Jonas, uma das estrelas da companhia. Talvez um dos grandes bons problemas de Vitória: como encaixar o brasileiro, que é indispensável ao 11, nas ideias tácticas do técnico? Se pudesse ter escolhido que saía, entre Lima e Jonas, quase que apostava que o escolhido seria o ex-Valência... Jonas é excelente no 4x4x2, como 2º avançado. E viu-se que como homem mais adiantado não serve. Mas 2º avançado só mesmo com o esquema actual. E no desespero, Vitória manteve sempre o brasileiro, atrás de um ou dois strikers. Mas num 11 inicial o que fazer? Encostá-lo a uma das linhas? Torná-lo num 10, recuando-o um pouco? É uma questão difícil... 

Os exercícios de treinador de bancada são sempre subjectivos, mas sucedem graças a observações do que se vê. Quem escolhe ser acrítico, vivendo na ignorância do "apoia e mai'nada", não sabe a sério o que é apoiar. Especular tácticas, 11's titulares e afins é salutar, embora esteja carecido do acompanhamento diário. Ainda assim, uma coisa me parece certa: este Benfica actual está fraquinho e algo tem de ser feito. Quanto a mim, apoio incondicional a Vitória! Apoio crítico, mas apoio. E apoio que ele claramente risque o passado e que siga o que sempre fez! E tolerância, pois ele merece-a por estar a ser lançado aos lobos e sem saber muito bem com quem conta nesta guerra. Veremos daqui por uns meses o que acontece...

11 comentários:

R20 disse...

Porque não, Gaitan a 10 e Jonas mais vagabundo pela esquerda para a o meio. Algo do genero portugal nos tempos do JVP, Figo e Domingos com Rui Costa atrás. JVP era o vagabundo pela esquerda.

Até pelo que o Gaitan defende seria sempre um meio campo mais forte.
Na direita Salvio seria o ideal para dar profundida mas na ausencia de alternativas é complicado.

Red Army Officer disse...

É uma hipótese interessante. Aliás, Gaitán, mais rente aos 30, será um jogador do meio, sem dúvida. Ele nem é muito veloz, logo será a melhor opção para ele no futuro!

R20 disse...

Sim duvida, ainda mais um jogador com tanto inteligência para abrir espaços pelo meio no jogo entrelinhas.
Colocando o Jonas na esquerda, apesar de já não ser novo, julgo que seria mais equilibrada a tactica.

Pedro Moutinho disse...

Porque não uma espécie de 4-4-2 losango?
Em que pizzi seria o homem mais à direita e Gaitan mais à esquerda.
(No primeiro ano de Jesus jogavamos assim, com Di Maria bem aberto à esquerda mas ramires a interior direito)
Com esta táctica permitia manter o Jonas onde rende mais e criar uma posição para: Taarabat, Talisca e Djuricic. Porque nestes 3 há qualidade e é um desperdício não ter posição para eles.

Carlos disse...

3-5-2 com o gaitan a meio e laterais muito ofensivos e os centrais a fazer cobertura nas linhas...

R20 disse...

Também é um hipotese, mas preferia Samaris mais para interior e Fejsa ou Cristante a Med Def. Tem de haver equilibrio, depois Gaitan, Djuricic, Jonas e Jimenez ou outro ....

Tarwin disse...

Com Sálvio de fora, e com Jonas a precisar de ter alguém a seu lado para render, acho que só existe um sistema possível, 4-4-2 losango, como já aqui foi referido. Neste caso, optaria por Fejsa a trinco, Samaris interior direito, Talisca interior esquerdo, Gaitan na posição dez. Jonas e Jimenez na frente de ataque. Com este sistema e estes jogadores acho até que os laterais (Eliseu e Nélson) iam ser beneficiados pois tinham sempre as costas protegidas por um médio e ficavam ambos com o corredor aberto. Tendo em conta o meio campo musculado a equipa tinha forçosamente que jogar em pressão alta para que os médios interiores conseguissem ganhar tudo o que é segunda bola ainda no meio campo adversário. Gaitan perto de Jonas também me parece que ia fazer render bem mais a equipa.

Ben Fiquista disse...

Quando o treinador de bancada perceber que isto tem pouco a ver com 442/433/4231 e outros que tais que só no FIFA serão fundamentais, então a conversa parecerá menos de tasca e mais de apreciador de futebol.

Querer extrapolar que RV está agarrado às ideias do antecessor só porque joga com «2 avançados» é não saber ver o jogo. É ignorar que se a equipa nos 8 jogos iniciais desta época atacou de uma forma que em nada tem a ver com o antecessor. É ignorar que apesar de ter 4 defesas, metade deles herdados, um deles com rotinas de treino do anterior e um quarto com características semelhantes ao que se foi embora, apesar disso a forma de defender da equipa foi totalmente dinamitada. Se há coisa que RV conseguiu nos dois meses (e dias) que tem de trabalho foi fazer com que o grupo de trabalho esquecesse os métodos e as táticas do anterior.

Concordo que Rui Vitória precisa de ideias, mas fundamentalmente precisa de ideias de clube grande. No passado jogo já houve um vislumbre disso. Espero que seja para se tornar a regra e não para ser uma ilha isolada.

Ben Fiquista disse...

Tarwin, que tipo de movimentações pretendes da equipa quando a escolhes dessa forma? Digo isso porque não percebo a escolha do Samaris para interior direito, do Talisca para interior esquerdo e do Raul Jimenez para parceiro do Jonas. Se puderes explicar as características de cada um dos jogadores dentro do contexto do que esperas do jogo, seria um bónus.

Pedro disse...

Caro Ben Fiquista

Rui Vitória "desconstruiu" o Benfica de JJ para tentar perceber no minimo o que tinha herdado, e conseguiu a meu ver tornar a equipa mais "controladora" de posse de bola, mas ao mesmo tempo ficou com um problema acrescido que foi ao ficar com a equipa com mais posse e com mais gente no meio campo (em ataque o Benfica mete sempre um dos centrais junto do meio campo em conjunto com os laterais que se encontram bem subidos) perde profundidade defensiva e para uma defesa como a do Benfica que é algo lenta a recuperar é um sistema perigoso.
Com o seu antecessor o Benfica acrescentava os laterais ao meio campo mas um dos medio baixava à defesa na teoria o Benfica defendia em 5-3-2 e atacava em 3-4-3.....na teoria porque o envolvimento da equipa muitas vezes mostrava até um 2-3-1-4....Neste momento RV ataca em 2-4-3-1 e defende em 4-3-3 a equipa no entanto revela-se demasiado macia na transição e menos pressionante pois fica sempre a faltar um homem nas compensações quer quando são saidas rápidas para o ataque como quando tem que defender-se dos contra ataques adversários...
Os tradicionais 4-4-2 e suas versões, 4-3-3 e até o 3-5-2 que são falados aqui nos comentários não têm nada a ver com aquilo que este Benfica de Vitória precisa, aliás este Benfica precisa sim é de que Rui Vitória cresça como cresceu o seu antecessor e que desenvolva a sua variante fora de qualquer amarra tática...
Mas sim podemos dizer que Vitoria em parte já viu que este Benfica para ser funcional dentro das suas ideias tem de utilizar o 4-4-2 que veio do seu antecessor, mas ele tb já viu que não existe grande opção em termos "puros" no plantel como tal ele opta por utilizar um extremo puro e um mais versátil (Gaitan) que em norma proporciona a Jonas o espaço entre linhas para poder alvejar a baliza.
Na minha ideia Vitória está a caminhar para o 1º sistema do seu antecessor mas tentando equilibrar o meio campo com um homem mais "disponivel" para o jogo, ou seja um nº8 mais equilbrado e com mais pulmão.

A minha opinião (que vale o que vale) a longo prazo na construção da equipa vai ser um falso 4-4-2 losangulo com Samaris/Fejsa (nos jogos em casa/nos jogos fora) Gaitan com falso interior esquerdo (imitando um pouco Di Maria de 2009/2010 mas com outra disponibilidade para defender), como interior direito Taarabt/Samaris (nos jogos em casa/nos jogos fora) a frente destes Jonas/Taarabt (nos jogos em casa/nos jogos fora) na frente Mitroglou e Gimenez (como vagabundo de frente ataque), eu sei que parece algo demasiado complexo o que aqui escrevi e que temos mais opções do que aquelas que aqui coloquei mas a minha opinião baseia-se simplesmente naquilo que é pedido em campo neste momento que é intensidade qualidade na posse e transição objectiva, com estes jogadores tem se tudo isso, depois sim pode se estudar as mais diversas variantes do sistema inicial com a inclusão de um extremo puro ao invés de 2 interiores, de colocar Jonas como falso extremo/2º avançado com Mitroglou em cunha e Jimenez ligeiramente mais recuado...ou seja, tem de haver sempre um ponto de partida...
neste momento quer me parecer que Vitória primeiro quer é equilibrar e conseguir perceber o que se passa com a defesa, com isso depois veremos ou não se o ataque melhora a sua taxa de concretização...



cumprimentos

Ben Fiquista disse...

Olá Pedro,

Começando pelo fácil, vejo que concordamos em vários aspectos. Se não fosse o jogo com o Moreirense seria fácil discordar do que dizes, mas depois do último jogo estou curioso por ver como se apresenta o Benfica frente ao Belém e no Dragão. Porque no último jogo vi vários aspectos do que tu apontas e que eu acho que tem de ser. Não foram os lances que nos trouxeram necessariamente a vitória, mas foi encorajador de ver. Pode ser que ainda haja esperança.

Não sei bem o que RV pretende de Taraabt, porque não faço ideia que tipo de jogador é ele. Em parte porque está difícil de aparecer... Quando ele aparecer falamos melhor sobre ele.

Concordo que o figurino é mais semelhante ao Benfica de Jesus do primeiro ano. Mitroglou parece ser «o novo» Cardozo e Jonas o Saviola da altura. Jeito, jeito era ter um Aimar para os ajudar, mas estranhamente também me parece que o Gaitán cresce quando flecte de fora para dentro. Samaris é um Javi com muito melhor definição e mais disponibilidade para «andar por ali a executar diferentes funções».

Concordo em absoluto que a defesa é que vai definir a época. Quanto mais cedo o processo defensivo se ajustar mais tranquilidade vai haver e menos nervos que acabam em raides aéreos sem critério.

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